01 Maio, 2011

Indiferença.

Eu acenderei o fósforo esta manhã, então eu não estarei só
"Olhe como ela mente em silêncio, logo terá ido."
Eu abrirei meus braços, finjo ser livre para vagar.
Eu farei meu caminho por mais um dia no inferno.
Quanta diferença isso faz?
Eu segurarei a vela até que queime meu braço.
Eu continuarei dando socos até ficar cansada.
Eu encararei o sol se pondo até ficar cega.
Eu não mudarei a direção e eu não mudarei de idéia.
Quanta diferença isso faz? Quanta diferença...
Eu beberei veneno até que eu fique imune.
Eu gritarei com meus pulmões até que ele encha este quarto.
Quanta diferença isso faz?

30 Abril, 2011

Julho.

Da pequena janela do segundo andar observo fios de eletricidade e antenas, um pequeno pedaço de céu sem nuvens, as vezes cinza, as vezes roxo, as vezes instável. Imaginar o que está lá fora é como me sentir presa a 19 anos, ao mesmo tempo tudo acompanha as suaves pinceladas que escondem o real conflito: aqui agora até Julho. Quando é 20:00 eu me contento em ter passado o dia e penso em escrever sobre o medo de ter que ir embora com o céu já negro.

"Você é como um retorno involuntário e a vida me leva sem ao menos pedir licença."

Como a lembrança do dia que falamos de amor, usando nossos uniformes da escola, cheios de sujeira das brincadeiras na areia, tinha a certeza de que você nunca deixaria de ser meu melhor amigo. Isso a 7 anos atrás, e eu só tenho 19. Este dia que acordei tarde sinto como se tivesse deixado algo importante em casa, "faço minhas leituras segas e eles choram em meu ouvido", é ler e não entender, é escrever e não se permitir.
E quem diria que um dia 1 + 1 = 12?

23 Abril, 2011

Subjetividade

Eu posso memorizar as cenas ao ver você sentada a seis passos de mim, assistindo a esse filme escuro e vibrando por ter encontrado algo melhor pra fazer. Não há nada de melhor nisso, mas agradeço a Deus que você está aqui a seis passos. Não sei o que posso esperar dessa noite, não fiz planos, espero que não se importe. Me sinto desconfortável e perdendo tempo, enquanto deixo rolar o CD novo que você trouxe. As vezes acompanho as conversas de pessoas desocupadas na rua, somente as silhuetas passam ao alcance dos meus olhos, nessa tarde amarela e ressecada.

Iguarias das mais variadas horas.

Em frente a televisão não vamos encontrar a fórmula para o que precisamos. E até me falta inspiração pra fugir das fraquezas que a sua falta de atenção me roga. Desejo para agora uma banheira de lama e risadas para que possa memorizar também as cenas.

Sobre os galhos de árvore eu vendi a ti, e você vendeu a mim após.

E é essa a nossa diferença: você gosta de ouvir o barulho de abridores elétricos enfurecidos contra as latas de sopa industrializada. E eu prefiro que tudo seja equilibrado.

26 Março, 2011

Piano na fundação.

Chantagens emocionais não vão me levar a nada.
Manipulação me leva ao consumo e ao sucesso.
8 ou 80 me afasta de seus problemas.
Copo de água e uva verde, minha vida ao meu lado

E eu tola quase deixei tudo escapar.
Será que só sairão metáforas?

Geração coca-cola.


Ultimamente tenho sido invadida por uma vontade

imensa e incontrolável de botar coisas para fora.

Mas existiram poucos e bons homens que fizeram isso

por mim, transcritas nesta letra:



Somos os filhos da revolução, somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação:
GERAÇÃO COCA-COLA!
Depois de 20 anos na escola não é difícil aprender,
todas as manhas do seu jogo sujo, não é assim que tem que ser.

Vamos fazer nosso dever de casa, e aí então vocês vão ver
SUAS CRIANÇAS DERRUBANDO REIS
FAZER COMÉDIA NO CINEMA COM AS SUAS LEIS!

19 Março, 2011

CÓDIGO TRÊS

Eu acordei de madrugada e
poderia ter sido em qualquer lugar.
Mas eu sei exatamente onde estou.
Estou em algum lugar entre fazer amor e ter amigos.
Só estou tentando esquecer, mas isso não é um amor comum.
Não é preciso ter dom pra acabar com o seu dia.
É só te falar das coisas que tem feito.
Eu também tenho feito coisas, espero que isso adiante alguma coisa.
Você me diz:
"é lamentável pensar que algumas coisas que queremos tanto não dá certo"
Enquanto isso, meu amor tem sido salvo.

26 Fevereiro, 2011

Observação de um esquadro eletrônico.

Um dia vazio.
Nem coisa boa, nem coisa entediante.
Um dia neutro.
A “coisa” de que falo é sem definição nem textura.
É incompreensível.
Gostaria de ser, em algum momento, uma película fina e frágil de gelo.
Aquelas que caem sobre os jardins de inverno.
Leve, sem culpa de qualquer sentimento passageiro.
E seria passageira, faria jus ao adjetivo.
Cairia sobre uma flor quente e duradoura,
me derreteria dentre suas pétalas perfumadas.
Lentamente.
Até que todos os meus átomos inexistissem. Mas não posso.
Penso sobre o tempo da Praça dos Meninos,
onde as meninas eram extintas de afeto e olhares.
Ficava por lá, esperando a tarde chegar e as lamparinas amarelas
se acenderem no meio das gramas curtas que rodeavam o bosque.
Um clássico das nossas tardes de sábado.
O seu sapato de bailarina, a minha sensação de que deveria ir embora.
Queria poder te avisar que tem algo que está longe,
mas que me faz pensar coisas estranhas.
Eu tento fugir, mas é que estava me sentindo tão sozinha...
Pensei em coisas violentas e que me agradam por alguns minutos.
Depois elas se apagam e revivem sempre as 12:50
Nem sei mais do que estou falando.
Estou em baixo de um sol ardente,
carregando 1 tonelada das coisas que havia falado
e os meus dias tem sido tão confusos que até me perco.
Deito no chão e respiro ar estragado, uma mistura de química
com sapatos de alguém que não tem medo de corrupção e política.
A tempos não sei mais do que tenho falado.